Mostrar mensagens com a etiqueta resenha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta resenha. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Papá das Pernas Altas de Jean Webster

Classificação: ⭐⭐⭐⭐

Estive com ressaca literária graças a um livro muito bom, “A química dos nossos corações” de Krystal Sutherland e depois não conseguia pegar em mais nenhum livro para ler, ainda por cima, estava de férias, e queria aproveitar o máximo de tempo possível para ler, uma vez que quase não li este ano. Foi então que ao falar com uma amiga, ela me aconselhou a sair da minha zona de conforto e eu peguei o livro “Papá das Pernas Altas” de Jean Webster para ler, uma vez que se trata de um chicklit, um género que eu não tenho o hábito de ler (aliás, para ser sincera, nem sei se já li algum). (Na altura a minha amiga até me tinha sugerido um thriller, mas como tinha este livro mais à mão e me apetecia algo mais divertido, decidi pegar neste.)

O livro conta a história de uma jovem alegre e trabalhadora, a Jerusha Abbott, que sempre viveu toda a sua vida num orfanato… até ao dia em que um dos benfeitores do orfanato lhe concede uma bolsa para que a Jerusha vá para a universidade e siga a carreira de escritora. Esta jovem pouco sabe sobre o seu benfeitor, apenas que tem as pernas altas, mas é claro que tanto ela como nós vamos morrer de curiosidade para descobrir mais sobre este seu benfeitor.

O livro é escrito quase todo em forma de carta da Jerusha Abbott e direcionada ao "Papá das Pernas Altas", como ela gosta de lhe chamar carinhosamente.

É uma história de empoderamento feminista, é o relato de uma mulher feliz, mas que procura encontrar o seu lugar no mundo, além disso, ensina-nos a nunca desistir dos sonhos. Só por estas características, já é um livro que vale a pena ler.

A Jerusha Abbott é uma personagem muito engraçada, que faz rir o leitor várias vezes, exatamente o que se pretende num chicklit. O romance não está muito presente, mas ainda assim, gostei muito de como apareceu, uma vez que não estava com muita vontade de ler um livro com muito romance.

Ao longo do livro a personagem vai ilustrando as suas cartas com pequenas ilustrações do que se passa no seu dia-a-dia. Não são umas ilustrações magníficas e de ótima qualidade, mas acho que ficam bem no livro.

[Até aqui, seria um livro cinco estrelas, sem dúvida, mas por existirem alguns percalços, vi-me na obrigação de dar apenas quatro estrelas. Porém, uma vez que façam uma reedição (o que eu espero que aconteça), algumas coisas poderão ser, efetivamente corrigidas.]

A ação passa-se num século passado, mas este não chega a ser referido, ou se o é, não o é diretamente. Existem alguns erros de incongruência com o que é dito ao longo da história, como a idade da personagem, que “misteriosamente” recua sem que se trate de um flashback de certeza. Para além destes erros, existem muitos outros ortográficos. Acho que isto tenha acontecido por falta de uma boa revisão final.

Existem alguns momentos em que existem algumas críticas à fé e à religião e algumas pessoas que sejam mais religiosas podem não gostar.

Pelas minhas pesquisas, o livro já não se encontra à venda nas livrarias, provavelmente só o conseguirão encontrar em alfarrabistas ou em sites de venda em segunda mão.

Espero que tenham gostado.

 

Beijinhos e boas leituras!

 

Lia
 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Um de Nós Mente de Karen M. McManus

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐

Com tanto trabalho na escola e um trabalho a meio tempo aos fins-de-semana, era de adivinhar que eu mal teria tempo para ler… e é escusado responder a isso, porque a resposta é sim.

Porém, consegui aproveitar algum do meu tempo livre para ler (e claro, quando a leitura nos prende, tudo fica mais fácil, não é?).

O livro que decidi ler é o “Um de Nós Mente” de Karen M. McManus, que foi um livro que eu comprei à pouco tempo e é um lançamento relativamente recente.


Para quem não conhece de que se trata este livro, aqui está a sinopse:

Simon Kelleher é o criador do Má-Língua, uma nova aplicação que está a encurralar a elite de Bayview High, revelando pormenores da vida privada dos alunos da escola. Mas o caso torna-se mais grave quando Simon e quatro colegas ficam fechados de castigo numa sala, e ele morre diante das suas vítimas. Os quatro que se tornam suspeitos imediatos do homicídio, são: A melhor aluna da escola, Bronwyn que nunca viola uma regra e quer entrar em Yale. A estrela da equipa de basebol de Bayview, Cooper. Nate, o criminoso, que está em liberdade condicional por vender droga.A menina bonita, Addy, que parece ter a vida perfeita ao lado do namorado perfeito.Que segredos queriam esconder para eliminar Simon? Quem será o culpado?


Este livro acaba por ser uma espécie de policial leve, misturado com um YA, e resultou bastante bem, na minha opinião.

A escrita é bastante fluida e a autora vai lançando reviravoltas de vez em quando, o que faz com que o leitor fique preso ao livro, na ansia de querer saber o que vem a seguir e quem, dos quatro alunos que estava no castigo com Simon, o matou efetivamente.

Tal como num bom policial, as pistas vão mudando gradualmente de alvo, fazendo com que numa hora seja um aluno o principal suspeito, e na outra já seja outro e o jogo fique completamente ao contrário. Como YA, funciona igualmente bem, adorei as personagens e a consistência de cada um deles, bem como as relações criadas.

No fundo, foi realmente um livro cinco estrelas que me prendeu do início ao fim, e que recomendo bastante a pessoas que gostam deste tipo de livros.

Beijinhos e boas leituras!

Lia

sábado, 23 de junho de 2018

A Cada Dia de David Levithan

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐

Olá a todos! É com grande orgulho de mim mesma, que vos anuncio que consegui (finalmente) concluir um livro, já que nos últimos temos se tornou hábito começar as leituras e não passar do primeiro ou segundo capítulo… obrigada ressaca literária por teres permanecido tanto tempo ao meu lado… só que não!

Como já viram pelo título e já devem ter calculado, neste post vou falar-vos do livro “A Cada Dia” do fantástico e maravilhoso David Levithan (que eu nunca tinha lido nada dele, mas que já tinha ouvido maravilhas a respeito). Se estou curiosa para conhecer mais livros do autor? Sim, com certeza que sim, sem dúvida alguma. (inclusive, já tenho o livro que dá continuação a este!)

 

Para quem não conhece de que se trata este livro, é a história de um “ser”, de certa forma uma “alma” que todos os dias acorda no corpo de alguém. Nunca duas vezes no mesmo corpo e sempre num corpo de alguém da mesma idade que “ele”. Vive a vida do corpo com a maior naturalidade possível e sem fugir à rotina do corpo, de modo a que passe desapercebido e não levante nenhumas suspeitas por parte de quem o rodeia a cada dia.

Auto nomeia-se de “A” e não é nem rapaz, nem rapariga, alterando aleatoriamente entre os dois, e com apenas 16 anos já viveu milhares de vidas numa só. Viu de perto várias realidades completamente distintas, desde a pobreza à riqueza, desde gordo a magro, de católico a ateu, de certinho a desorganizado. Já foi heterossexual, bissexual, gay, lésbica, transgénico. A cada dia, um dia novo e diferente, a cada dia num corpo novo e diferente.

A vida corre-lhe normal, dentro da normalidade possível… quando acorda um dia no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada do Justin. Tudo muda naquele dia e a partir de então “A” não a consegue mais esquecer, nem se manter afastado dela como deveria, seguindo o curso normal da vida das pessoas em que habita… Mas tendo em conta que “A” tem a vida que tem e tendo a Rhiannon namorado, haverá espaço para crescer algo entre eles? Será possível estar com alguém que muda de corpo todos os dias?

 

Peguei espontaneamente no livro (que estava à séculos na estante, no caso, desde 2015) pouco antes de sair de casa num dia, apenas porque o trailer do filme me apareceu no anúncio de um vídeo no Youtube. Precisa de uma leitura para aquela tarde e simplesmente peguei no livro e comecei a ler. Li apenas umas trinta páginas naquela tarde, mas foi o suficiente para me fazer pensar em ler e querer de facto ler, sempre que tinha um espacinho de tempo livro (e até mesmo quando não tinha…).

O facto de cada capítulo ser um dia diferente, uma vida diferente, fazia com que eu quisesse sempre ler mais para descobrir em que corpo é que “A” iria acordar no dia seguinte. O que fez com que a leitura fluísse muito melhor do que o que tem sido normal para mim nos últimos tempos.

Desde sempre que achei a ideia do escritor super original, só não fazia sequer ideia da quantidade de temáticas pelas quais o livro passava. Apenas para citar algumas, o livro fala de problemas com a droga, alcoolismo, gordofobia, bullying (visto do ângulo de quem pratica), depressão e tantas outras, não esquecendo aquelas que eu referi no quarto parágrafo deste texto. Foi uma ótima ideia do autor, criar todo este universo, tendo em atenção que é praticamente impossível criar um enredo coerente que fosse abordar todos estes tópicos e temáticas que aborda.

O livro está muito bem escrito, numa linguagem jovem e acessível a qualquer pessoa, com capítulos de um tamanho razoável, uma narrativa cativante e muito fluída.

Estou muito curiosa com a adaptação cinematográfica e espero conseguir vê-la em breve. Também estou curiosa com o enredo do segundo livro, uma vez que no final deste primeiro aconteceu algo que me fez prever o início do segundo volume… espero estar enganada e que este escritor me consiga surpreender ainda mais!

Já alguém leu o livro ou viu o filme? Se sim, o que acharam?

 

Beijinhos e boas leituras!

Lia

sábado, 28 de abril de 2018

Sei lá de Margarida Rebelo Pinto

Classificação: ⭐⭐⭐

As minhas leituras estão muito pouco evoluídas, mas concluí recentemente o livro Sei Lá de Margarida Rebelo Pinto.

Para quem não conhece, este foi um dos livros que serviu de rampa de lançamento para a autora. O livro que ficou tão famoso que ganhou uma adaptação cinematográfica com o mesmo nome. (Infelizmente o filme não é completamente fiel ao livro e faltam muitas coisas que considero essenciais para que tenha a mesma essência do livro. Ainda assim, é um excelente filme só por si, para quem leu o livro, é que pode haver alguma decepção…)

O livro conta a história da Madalena, através do seu ponto de vista. Fala “das suas dúvidas, ambições, derrotas, fraquezas e preconceitos”. É um romance sobre alguém que, após alguns desgostos, busca amar e ser amada. Paralelamente à vida da Madalena, acompanhamos também a vida das amigas dela e as suas paixões e desilusões amorosas, vivendo cada uma a vida à sua maneira.

O facto de a história ter sido escrita e se passar efetivamente nos anos 90, faz com que sejamos transportados para uma época onde ter telemóvel não era assim tão comum como hoje (as redes sociais nem existiam), e houvessem tantas outras pequenas coisas que mudaram ao longo destes vinte anos sem nos apercebermos…

A escrita é bastante fácil e de simples compreensão. Indico a leitura a quem procura um romance leve e fácil de ler.

Como pontos menos positivos, ressalto o facto de haverem alguns clichés e partes previsíveis. O final também me pareceu muito rápido, com algumas revelações muito instantâneas dadas através de pistas mal engendradas. 

Espero que tenham gostado da resenha!

 

Beijinhos e boas leituras!

 

Lia
 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Paper Girls de Brian K. Vaughan, Cliff Chiang e Matt Wilson

Classificação: ⭐⭐⭐


Ultimamente tenho andado muito inclinada para ler banda desenhada e grafic novels. São leituras bem rápidas e que me agradam bastante.

Comprei o livro “Paper Girls 1” de Brian K. Vaughan (escritor), Cliff Chiang (ilustrador) e Matt Wilson (cores) pela wook e mal chegou aqui em casa comecei logo a lê-lo! (só não fechei o livro depois de o terminar porque tinha de ir trabalhar, caso contrário, tinha o lido de uma só vez!)

A história de “Paper Girls” passa-se na madrugada e dia seguinte ao Halloween de 1988 numa cidade dos EUA. Existem muitas referências a famosos, programas de televisão e filmes que existam na altura, ou já tinham existido.

O livro narra a história de quatro meninas de 12 anos (a Erin, a Mackenzie, a Tiffany e a KJ) que são distribuidoras de jornais e que se encontram durante esta madrugada enquanto então a fazer a sua habitual distribuição. É durante esta ronda que começam a acontecer coisas bizarras, existem pessoas a desaparecer do nada, e parece que os seres humanos já não são os únicos habitantes da terra… No final das contas, estas quatro adolescentes vão ter de aprender a lidar com a situação da melhor maneira, (tentar) fazer as melhores escolhas e perceber em quem se pode confiar verdadeiramente.

Não leio muita ficção científica, para ser sincera, mas gostei bastante deste livro. Existem umas partes um pouco mais “agh” (isto é uma onomatopeia de nojo, porque eu sou bastante sensível). Pelo que percebi, as mulheres não tem o seu devido valor neste género literário, mas nesta BD, podemos dizer que estamos no controle do barco, o que é maravilhoso!

Vi várias comparações entre este livro e a série “Stranger Things” da netflix, por envolver adolescentes, por se passar nos anos 80 e por conter vários acontecimentos “bizarros”, digamos assim.

Não posso deixar de referir que adorei a originalidade da distribuição da cor nesta banda desenhada (confeccionada por Matt Wilson), feita sempre com tons muito semelhantes na mesma tira, ou tons frios (na sua maioria), ou tons quentes, ou uma mistura perfeita de ambos. Por outro lado, acho que o traçado a preto realizado por Cliff Chiang dá um ritmo mais constante que poderia faltar devido à alteração da paleta de cores que vai existindo ao longo da banda desenhada.

Infelizmente ainda só publicaram este primeiro volume aqui em Portugal e pelo que sei, ainda não há previsões para a publicação do segundo.

PS.: Lá fora eles foram publicados vários volumes, que foram posteriormente juntados em outros volumes, ou seja, este livro junta os primeiros cinco lançados separadamente lá fora.

Beijinhos e boas leituras!

Lia


 

domingo, 22 de outubro de 2017

Eternidade de Alyson Noël

Classificação: ⭐⭐

Hoje trago-vos (num texto um pouco mais curto que o normal) a minha opinião sobre o livro “Eternidade” de Alyson Noël.

Eu “li” este livro em audiobook e foi a minha primeira experiencia com este tipo de leituras. Confesso que foi uma leitura super rápida, porque a mulher da narração do áudio lia bem mais rápido do que eu costumo ler, mas conseguia perceber tudo perfeitamente.

O livro conta a história de uma jovem, a Ever Bloom, que sofre um terrível acidente onde morre toda a sua família mais próxima, o que faz com que tenha de ir morar com a sua tia. Ever é uma jovem aparentemente normal, mas ela consegue ver as auras das pessoas que a rodeiam, ouvir os seus pensamentos e conhecer a história da vida de qualquer pessoa através de um simples toque, portanto, já percebemos que de normal, tem muito pouco. O que Ever não estava a contar é com o novo aluno da escola, o Damen Auguste, que é completamente encantador e simplesmente irresistível… mas Ever não está na melhor fase da sua vida e não se quer envolver com ninguém, mas será ela capaz de resistir a tanto encanto?

Este é um livro de romance paranormal/fantástico que me irritou um pouco porque tinha um romance muito repentino e pareceu-me algo muito pouco natural. Em algumas partes as coisas pareceram-me muito óbvias e não gosto muito quando os livros se tornam muito previsíveis.

Porém, a escrita da autora é bastante fluida e acaba por cativar o leitor passadas algumas páginas, ainda assim, não me arrebatou completamente.

Em suma, foi uma boa experiência e uma ótima forma de passar o tempo, mas infelizmente não passou nenhuma mensagem, nem abordou nenhum tema mais crítico, como eu gosto tanto que aconteça nos livros que leio.

Não sei se irei dar continuidade à série de pelo menos seis livros em que este é apenas o primeiro volume, uma vez que não fiquei tão arrebatada como pensava que iria ficar.

Se decidirem dar uma oportunidade a este livro, ou se já o leram, contem-me o que acharam dele nos comentários.

Beijinhos e boas leituras!

Lia

sábado, 30 de setembro de 2017

O Prédio das Mulheres que Desistiram dos Homens de Karine Lambert

Classificação: ⭐⭐⭐

Terminei a leitura do livro “O Prédio das Mulheres que Desistiram dos Homens” recentemente e decidi trazer-vos a minha opinião sobre ele. Ao longo do post irei também colocar alguns quotes do livro.

Para além da capa deste livro, o que me chamou à atenção foi o título e a sinopse. O livro conta a história de umas mulheres que vivem num prédio onde proibiram completamente a entrada dos homens. Mas acabam por estar sempre presentes nas memórias e nas mágoas de cada uma.

“Às vezes é preciso aprender a ficar de pé sozinha. É tão difícil.” (página 148)

Tudo corre “às mil maravilhas” até à chegada da Juliette, a nova inquilina do prédio, que vai começar a abalar aos poucos as convicções das mulheres deste prédio, porque ao contrário delas, a Juliette ainda não desistiu dos homens.

Todas as “Mulheres que Desistiram dos Homens” não desistiram simplesmente porque “sim”, mas por um motivo forte. E cada um desses motivos é revelado ao longo do livro e percebemos melhor o porquê desta escolha.

“A formação de um casal não é a única resposta à pergunta «como ser feliz?»” (página 163)

O prédio é “governado” pela Rainha, a dona do prédio e a pessoa que impôs esta regra, também ela com os seus motivos para a abstinência do amor dos homens na sua vida.

“Só nos palcos podemos dançar todos os dias com o nosso parceiro a mesma coreografia sem cair. Na vida real, é mais perigoso.” (página 32)

A história é maioritariamente narrada pela Juliette, mas também tem partes narradas pelas outras mulheres, quando o leitor fica a conhecer os motivos de cada mulher desistir dos homens. Estas partes são nos apresentadas através de flashbacks.

A narrativa é fluida e os capítulos são relativamente curtos.

É um romance perfeito para pessoas que não gostam romances muito clichés e muito lamechas, que é o meu caso. É um romance que nos mostra algo próximo às verdadeiras relações amorosas, sem o “viveram felizes para sempre” no final do livro, como nos contos de fadas. E estes são na minha opinião, os melhores romances.

Se alguém conhecer algum livro semelhante, ou tiver ficado interessado em ler “O Prédio das Mulheres que Desistiram dos Homens” digam-me nos comentários porque vou ficar muito feliz em saber!

Beijinhos e boas leituras!

Lia

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A Mulher do Camarote 10 de Ruth Ware

Classificação: ⭐⭐⭐

 
Finalizei recentemente a leitura do livro “A Mulher do Camarote 10” de Ruth Ware e não poderia deixar de compartilhar convosco a minha opinião sobre ele. Quero apenas dizer que, caso não tenham visto os últimos posts, este livro foi-me gentilmente oferecido pela editora Clube do Autor juntamente com outros livros maravilhosos! (Se quiserem saber mais sobre a editora e sobre todos os livros que eles me enviaram, falei deles no post deste link: http://euliaeleio.blogspot.pt/2017/08/livros-recebidos-da-editora-clube-do.html).

 
(Lembrando que a minha opinião é sempre sincera sobre aquilo que leio, independentemente de o livro me ter sido cedido por alguma editora ou autor.)

 
O livro conta a história de uma jornalista, a Laura Blacklock, ou simplesmente Lo, que pretende subir na carreira e para isso aceita o convite de participar na viagem inaugural de um cruzeiro de luxo, o Aurora Borealis, onde só participariam pessoas influentes dos media e o próprio dono do cruzeiro e a sua mulher. Tudo certo até aqui... mas o que a Lo não contava experienciar era um crime no camarote ao lado do seu.

 
O mais estranho é que, ao denunciar o que viu às entidades responsáveis no cruzeiro, é informada de que não falta nenhum membro da tripulação, nem dos convidados e ninguém pode ter entrado nem saído de um barco em movimento. Sendo assim, como a Lo consegue arranjar uma explicação para aquilo que viu e ouviu? Terá sido apenas fruto da sua imaginação? Ou terá realmente acontecido um crime abordo de um cruzeiro de luxo sem que ninguém tenha reparado nisso?

 
Este é o pano de fundo para o policial de Ruth Ware lançado pela editora Clube do Autor no mês passado.

 
A história é narrada em primeira pessoa pela Lo, porém aparecem uma espécie de “recortes de jornal” e conversas de e-mail entre outras coisas que não são do conhecimento da Laura Blacklock, mas que dão um ar muito mais tenso à história, porque são revelações que nos prendem completamente à leitura.

 
Confesso que no início a leitura é um bocado monótona e não acontece muita coisa surpreendente. Quando acontece de facto o crime a bordo o leitor não fica surpreso porque já sabia que tal iria acontecer assim que leu a sinopse (ou viu este meu post) e isso acaba por cortar um bocado o suspense que se podia ter sentido, todavia, após o crime e a pequena investigação por conta da Lo, acabam por acontecer várias reviravoltas umas a seguir às outras que prendem inevitavelmente o leitor, na tentativa de ele próprio tentar solucionar o caso.

 
A leitura é fluida, divertida em algumas partes (de forma a cortar o ambiente tenso), e de cortar a respiração em outras. O enredo é surpreendente (pelo menos foi assim para mim), como se pede de um policial, e as personagens são igualmente bem construídas.

 
Não é de um género que eu leia muito, pois de policiais este é apenas a minha segunda leitura, mas ainda assim foi uma leitura muito agradável de se fazer e que gostei bastante.

 
Indico para quem gosta de policiais e também para quem não lê muitos livros do género, mas pretende sair da zona de conforto lendo um policial.
 
Beijinhos e boas leituras!
 
Lia

 
Uma leitura realizada com o apoio:



domingo, 13 de agosto de 2017

A Ilha das Quatro Estações de Marta Coelho

Classificação: ⭐⭐⭐

Quem acompanha o blog viu que o último post que saiu foi sobre a editora “Clube do Autor” e sobre os livros que eles me enviaram (quem não sabe do que eu estou a falar, está aqui o link do post para perceberem melhor ao que me estou a referir: http://euliaeleio.blogspot.pt/2017/08/livros-recebidos-da-editora-clube-do.html) E hoje trago-vos a minha opinião sobre um desses livros: A Ilha das Quatro Estações.

O livro conta a história de quatro jovens: a Cat, o Santi (ou Tiago), o Misha e a Rute. Todos eles estão em sofrimento por alguma coisa do passado quando chegam à Ilha das Quatro Estações, onde irão passar quatro meses das suas férias de verão. Esta Ilha encontra-se dividida em quatro partes e em cada uma delas vive-se uma estação do ano. Estes jovens e o resto do grupo de inscritos irão passar um mês em cada uma das partes da ilha. (Ficou confusa a explicação?)

Esta ilha serve como uma terapia. Longe do resto das pessoas e das tecnologias, estes jovens dispõe de tempo para se encontrarem a si mesmos, para recuperarem autonomamente, mas também para fazerem boas amizades, o que contribuirá para a recuperação de cada um.

O livro é narrado em primeira pessoa, pelos pontos de vista da Cat e do Santi e adoro quando os autores fazem isso, porque nos dá um segundo ponto de vista dos acontecimentos, não deixando de parte a narração em primeira pessoa.

Pela linguagem clara (tanto da parte narrada como dos diálogos), fluida e extremamente rápida de ler é um livro juvenil, porém fala de alguns temas que são tipicamente abordados no género YA (temas esses que são spoiler se disser quais são). Os capítulos são curtos, o que é maravilhoso e só ajuda na fluidez da narrativa.

Este livro fala-nos de culpa, de saber perdoar, de nunca desistir de ser feliz e de lutar para conseguir aquilo que se quer. Ao longo do livro vemos várias lições de vida e cada uma delas acaba por marcar também um pouco a nossa vida.

Existem partes cómicas, piadas internas e muita cumplicidade e ajuda entre os personagens. Notei que a autora estava sempre a criar conteúdo para que a estadia dos jovens na ilha não se tornasse demasiado monótona para o leitor e, uma vez que eles não tinham telemóveis, tablets e computadores, não tinham grandes fontes de informações do exterior, pelo que deve ter sido mais difícil.

Achei apenas que existiram algumas partes um pouco insuscetíveis de acontecerem realmente, e que acabaram por soar a algo forçado. Talvez por ser um livro juvenil, eu achei que algumas partes foram óbvias demais para um leitor um pouco mais atento aos detalhes, como costuma ser o meu caso, mas considero que são pistas que poderiam muito bem passar despercebidas a um leitor mais novo.

Em suma, gostei da leitura e recomendo-a a jovens que gostem de livros com alguma aventura, romance, mas que também aborde temas mais sérios e reflexivos.

Beijinhos e boas leituras!

Lia
 
 
Uma leitura realizada com o apoio:

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Leite e Mel de Rupi Kaur

Classificação: ⭐⭐⭐

Leite e Mel é um livro escrito por Rupi Kaur, composto por vários poemas que se encontram divididos em quatro partes: “a dor”, “o amor”, “a separação” e “a cura”. (Acho que estas quatro partes funcionam como que um ciclo, que se repete várias vezes ao longo da vida.)

Confesso que ler poesia é algo que não estou acostumada e só o faço quando preciso de ler por causa da escola. Mas a sinopse deste livro, estas quatro partes que ele aborda, as ilustrações e toda a edição, que está completamente magnífica, fizeram-me querer lê-lo.

Ao nível da temática fala, para além de dor, de amor, de separação e de cura, fala sobre violação, sobre amor, sofrimento (e superação), feminismo, entre outros.

Para mim foi um bocado difícil ler alguns poemas, mais sobre a temática da violação, propriamente dita, porque a poesia de Rupi Kaur é crua e direta. Sem rodeios. E como não li muito sobre este tema, acabei por achar um pouco pesado em algumas partes.

A poesia da autora é mais descuidada com a métrica e com a organização dos versos em relação a outros poemas que já li para a escola, mas de certa forma, isso faz com que a leitura flui-a melhor para o leitor e, acredito que, a escrita flui-a melhor também para a escritora.

Em suma, este é um livro real, extremamente íntimo, sincero, que nos apresenta realidades obscuras como a violação (mas que precisam ser faladas e debatidas nos livros), e nos mostra que nós mulheres, passamos por mais coisas em comum do que aquilo que imaginamos, não me refiro à violação, mas a todas as relações amorosas que tem tantas semelhanças entre si.

Espero que tenham gostado desta minha opinião, talvez um pouco mais pequena do que o normal, mas deixo-vos agora um excerto do livro. É uma mensagem de positivismo e inspiradora que decidi partilhar convosco:

“aguenta firme na tua dor
deixa que dela nasçam flores
ajudaste-me
a que nascessem flores da minha dor
por isso
abre-te em beleza
sem medos
com garra
abre-te com suavidade
abre-te como precisares
mas deixa-te florir

- aos leitores”

(página 158)

Beijinhos e boas leituras!
 
Lia

sábado, 8 de julho de 2017

A química dos nossos corações de Krystal Sutherland

Classificação: ⭐⭐⭐⭐
 
A química dos nossos corações de Krystal Sutherland foi um livro que a princípio não me chamou a atenção, mas bastou parar e ler a sinopse dele para ter a certeza que o ia adorar!

O livro conta a história de Henry Page, um rapaz de 17 anos que nunca se apaixonou (é claro que teve aquela namorada na infância, mas era na idade em que os namoros consistiam em andar de mão dada), mas sempre sonhou em encontrar a sua alma gémea, tal como os seus pais se encontraram um ao outro.

Grace Town é a nova aluna na escola de Henry Page, veste-se com roupas masculinas e usa uma bengala para se apoiar enquanto caminha. Esta não é a rapariga dos sonhos de Henry Page, mas quando ambos são convocados para coordenadores do jornal da escola, eles acabam por se conhecer e a química dos seus corações é inevitável…

Porém, Grace Town esconde muitos segredos. Segredos esses que podem dificultar, e muito, esta possível futura relação. Será que juntos conseguem ultrapassar tudo e ter um final feliz, ou será que os corações partidos são algo com o qual eles vão aprender (e ensinar-nos) a lidar?

Uma coisa que adoro neste livro é o facto de não ser cliché, não se limita a ser (mais) um romance, é muito mais do que isso. Aliás, “Único” é um adjetivo perfeito para caracterizar este livro, porque tem um enredo único, personagens únicos, episódios únicos. Até podia dizer “quem gostou do livro X, vai gostar deste”, mas não consigo encontrar termo de comparação, porque é realmente diferente de tudo aquilo que já li. O livro parece-me bastante realista e com acontecimentos todos eles muito suscetíveis de suceder realmente.

Algumas personagens que vão sendo apresentadas ao longo da obra recebem uma descrição completa, desde a descrição física, a episódios que o narrador vivenciou com essa personagem, por exemplo.

A amizade entre Henry Page e os seus melhores amigos é uma amizade que se consegue sentir como verdadeira, com brincadeiras completamente parvas, conversas completamente parvas, mas que quando é preciso, os amigos estão presentes e querem o melhor uns para os outros.

Existem pelo menos dois personagens que me irritaram muito, em vários momentos distintos, mas é aquele amor/ódio que não consigo deixar de sentir pelos personagens. Fizeram e disseram coisas que eu fiquei “NÃO!!! NÃO FAÇAS ISSO!!!”, mas o facto de os personagens me irritarem nem é um ponto negativo no livro, porque compreendo o seu lado, sei que estão a tentar fazer o que pensam ser o melhor para eles e é assim que evoluem enquanto personagens.

Os capítulos são curtos, o que me agrada bastante, e de certa forma faz com que a leitura seja mais rápida e fluida, porque estava sempre a pensar “só mais um capítulo”. A história é narrada em primeira pessoa (pelo ponto de vista de Henry Page) o que é algo que adoro. Existem várias referências a filmes, livros (como Harry Potter, Crepúsculo, A Quinta dos Animais…), músicas, bandas, famosos, entre outros, que quando fazem parte do conhecimento do leitor, acabam por enriquecer bastante a história.

O romance acaba por ter muita importância neste livro, mas não é apenas o romance entre duas pessoas, vemos várias relações, umas que dão certo, outras que não dão, umas que já terminaram, outras que talvez venham a começar e vemos também a forma como cada pessoa lida como a sua relação, umas tentam fingir que está tudo bem quando não está, outras fazem um escândalo quando termina… Aprendemos que o amor entre duas pessoas não dura para sempre, mas por acabar, não quer dizer que não tenha valido a pena.

Confesso que adoro marcar com post-it diferentes sentimentos que o livro me trás, tristeza, riso e outras coisas como quotes que tenha gostado e partes românticas, e este livro tem tudo isso. Conseguiu unir tudo de uma forma espetacular e na dose certa.

Recomendo muito este livro para quem gosta de um YA contemporâneo, sobre o primeiro amor, mas procura uma leitura diferente daquilo que já leu. Este livro encher-lhe-á as medidas e proporcionar-lhe-á várias reflexões e frases que ficaram para a vida.

Uma leitura realizada com o apoio:



Beijinhos e boas leituras!

Lia


sexta-feira, 30 de junho de 2017

O azul é uma cor quente de Julie Maroh

Classificação: ⭐⭐⭐⭐

“O azul é uma cor quente” foi o primeiro livro (e único, até agora) que li com um tema LGBT como foco, mais especificamente, sobre o amor entre duas pessoas do sexo feminino. Já há muito tempo que queria ler algum livro assim, mas estava meio perdida e sem saber por qual livro começar.

Quando vi este livro na Feira do Livro de Lisboa deste ano, fiquei encantada com as ilustrações (Mas não fui a única! A Inês do instagram @books4everyone também ficou!), depois percebi que se tratava de um livro LGBT e percebi que seria ótimo para uma primeira leitura sobre este tema, uma vez que seria uma história rápida, por ser em estilo de banda desenhada. Além disso, no dia 28 de junho foi o dia internacional do orgulho LGBT, então acho esta leitura não podia ter vindo em melhor altura!

O livro conta a história de uma adolescente, a Clémentine, de 15 anos, que ao passar por uma rua, se cruza com duas raparigas, uma delas acaba por lhe sorrir e de alguma forma, que Clémentine não sabe explicar, algo muda nela, com aquele sorriso enigmático de uma desconhecida.

Nada na vida da Clémentine continua como estava, as relações com os pais pioram, alguns amigos poderão afastar-se, as dúvidas sobre a sua orientação sexual ficam abaladas e numa idade em que conta tanto aquilo que pensam de nós, quais serão as atitudes que a Clémentine irá tomar daqui para a frente?

A narrativa começa depois de um determinado acontecimento na vida da Clémentine (que eu não vou revelar aqui, pois pode ser spoiler, apesar de nos ser dado a conhecer logo nas primeiras páginas), depois voltamos atrás no tempo e vemos como foi a vida dela, a partir dos seus 15 anos até ao acontecimento. O facto de a narrativa ser contruída assim, pode acabar por tirar um pouco da carga emotiva que o final teria, se desconhecêssemos o acontecimento, porém no meu caso, acabei por me emocionar na mesma, quando cheguei às páginas finais.

Tratando-se de um livro de banda desenhada e sendo eu uma estudante de artes visuais, não poderia deixar de referir que a qualidade do grafismo, do traço e a expressividade dos desenhos são realmente maravilhosos. Por vezes, não necessitamos de balões de fala, porque as imagens já falam por si. A paleta de cores é reduzida durante quase todo o livro, mas tem sempre um ou outro apontamento a azul, o que na minha opinião, resulta muito bem neste livro.

Porém, nem tudo são pontos positivos e existem duas coisas que não gostei: uma delas é o facto da tira com a propaganda do filme baseado no livro não ser de papel e retirável e ser realmente parte da capa, o que acabou prejudicando a ilustração desta. A outra coisa que não gostei foi que um dos dois tipos de letra escolhido para interior não fosse de fácil leitura e, entre determinadas letras, suscitou-me algumas dúvidas.

Gostei bastante desta leitura, foi rápida, fluida e comovente em algumas partes. Espero que mais gente conheça este livro, pois ele é uma leitura que nos ajuda a entender um pouco as dúvidas e tudo o que uma pessoa homossexual passa, em busca de um rumo para a sua vida.

Apesar de se tratar de uma banda desenhada, e de ser de fácil leitura, não recomendo para crianças, pois contém algumas partes mais adultas no interior.

Espero que tenham gostado da minha opinião e se lerem o livro digam-me o que acharam!

Beijinhos e boas leituras!

Lia
 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Meu Coração e Outros Buracos Negros de Jasmine Warga

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐

Meu Coração e Outros Buracos Negros é um livro (maravilhoso) que aborda o tema do suicídio e o tema da depressão, maioritariamente.

O livro conta a história de uma adolescente de 16 anos, a Aysel, que vive com a mãe, o padrasto e os seus dois meios-irmãos mais novos. Ela estuda e tem um trabalho a meio tempo numa empresa de telemarketing. Sofre com depressão e pondera a ideia de vir a cometer o suicídio. Enquanto trabalha, costuma aceder a um site chamado “Passagens Tranquilas”, onde pretende encontrar um parceiro de suicídio.

Roman é um rapaz de 17 anos e que à partida não tem nada de comum com Aysel Tem uma família que o adora e tem vários amigos à sua volta, mas tal como Aysel, também sofre com depressão e também frequenta o site “Passagens Tranquilas”, em busca de um parceiro para atingir o seu objetivo: o suicídio.

Aysel e Roman conhecem-se neste site e planeiam cada pormenor do seu próprio suicídio juntos, escolhendo a data de 7 de abril para o concretizar. Começa então uma contagem regressiva para o dia em que todo o sofrimento de ambos irá terminar.

Apesar de já ter lido alguns livros com a temática do suicídio que são fantásticos, este pareceu-me espetacular, porque a toda a hora, sentimos como a depressão afeta realmente as pessoas e como a “lesma preta” que existe dentro delas as ataca e as corrói por dentro, matando cada emoção positiva que pudesse existir e isso é algo que, na minha perspetiva, a autora soube trabalhar muito bem.

Para além desta forma maravilhosa que a autora escolheu para abordar o tema do suicídio, quase tudo me parece realista e autêntico, pudendo, talvez, o final ter-se desenvolvido um pouco rápido de mais do que deveria (não irei alargar-me nesta minha opinião sobre o final, para evitar dar spoilers).

A narrativa é muito fluida, prende o leitor à história e a autora consegue dar muitos (usando uma expressão do Português do Brasil) “tapas na cara” do leitor.

A quem procura um romance fofinho, pode esquecer este livro, porque este não é o tipo de livro em que ambos sofrem, conhecem-se e, num piscar de olhos, tudo fica maravilhosamente bem. Este livro não romantiza o suicídio, até porque na realidade, sabemos que não basta que a pessoa entre na nossa vida e todos os problemas desapareçam. Falando mais concretamente neste livro, não basta que a Aysel e Roman se conheçam para que o motivo pelo qual eles pretendem morrer desapareça de um momento para o outro. E este é sem dúvida um dos pontos mais positivos do livro.

Por fim, esta história deixa-nos uma mensagem de esperança: A quem está a passar pelo mesmo, mostra que não estão sozinhos; A quem assiste a alguém que possa, eventualmente, estar a passar pelo que a Aysel ou o Roman passam, ensina que devemos estender a mão e oferecer ajuda, em vez de ficarmos calados, só por não sabermos como abordar a situação, ou simplesmente desvalorizar esta doença, até porque a depressão é algo da qual é difícil sair sem ajuda de alguém.

Meu Coração e Outros Buracos Negros foi um livro que me levou à reflexão e me fez compreender ainda melhor este tema, cada vez mais abordado na literatura: o suicídio e as causas que nos levam a cometê-lo.

Espero que tenham gostado e que, se tal com eu adoram ler livros com esta temática, deem uma oportunidade a esta leitura, porque estou certa de que não irão arrepender-se.

Beijinhos e boas leituras!

Lia

domingo, 21 de maio de 2017

diz-lhe que não de Helena Magalhães

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐
 
Sabem aquela altura em que leem um livro tão bom, mas tão bom que quando vão para escrever a crítica para o blog, não fazem ideia por onde começar? Pois bem, estou exatamente nessa situação.
 
Desde o primeiro dia em que vi o livro “diz-lhe que não” na lista de pré-lançamentos da wook (sim, costumo frequentar bastante esta secção), que me despertou a atenção e me fez clicar no ícone da capa para ler a sinopse. Talvez me tenha chamado à atenção pelo facto de a capa ser da minha cor preferida, ou pelo tipo de letra que escolheram para o título ser fantástico, porém não foi só a capa que me fez comprar o livro, mas também a sinopse dele.
 
Não tenho o hábito de colocar as sinopses nas resenhas, mas não há regra sem exceção, e acho mesmo que esta sinopse vale mesmo a pena ler:

[ SINOPSE

«Conheço muitas mulheres que escolhem ficar em relações de merda porque é muito mais fácil viver assim do que enfrentar o mundo sozinhas. Do que terem de continuar a procurar. Talvez essas relações só sejam de merda aos meus olhos. Talvez, para elas, sejam exactamente aquilo que procuram. Mas eu não nasci para isso. Nasci para amar (e ser amada) profundamente. Vou continuar a procurar, mesmo que continue a cair de cabeça no chão. Vou sempre dizer sim ao amor. Às borboletas no estômago. Às pernas a tremer. Quero viver todas as sensações que o amor me puder oferecer.
E nunca, nunca, nunca me vou contentar com menos do que isso. Neste livro cada Capítulo corresponde a uma história. Poderia dizer-vos que são ficcionais, mas não são. Se são 100% reais? Também não. Porque, por vezes, fantasiar um pouquinho aquilo que vivemos torna-nos mais felizes.»

Helena acredita no amor, apesar das relações fast-food que muitas vezes sente na pele.
Enquanto homens como o Sem Cojones, o Flash, o Velho, o Poeta ou o Telecomunicações vão passando pela sua vida sem deixar nada para contar a não ser histórias caricatas e, por vezes, inverosímeis, Helena continua à procura sem se deixar cair na tentação de se acomodar. Ao seu lado as suas amigas Beatriz, Olívia e Laura também vivem relações marcadas pela traição ou pelo abandono, mas sempre com a ideia de que um dia o «Mr. Right» vai aparecer. A jornalista Helena Magalhães, num registo irónico e actual, apresenta-nos um livro que nos faz reflectir sobre as relações amorosas nos dias de hoje em que as redes sociais marcam o ritmo e as juras de amor são feitas por Whatsapp, os «amo-te» vêm em forma de fotografia pelo Instagram ou que os ex-namorados e as ex-namoradas dos ex-namorados convivem alegremente no Facebook, assistindo à nossa vida como se de uma novela se tratasse.
Porque o amor é mais do que isto e há que dizer «não» até que a vida nos dê a entender que chegou o momento de dizer «sim». Um «sim» apaixonado, confiante e absoluto. ]
Ficaram curiosos para ler o livro, agora que já leram a sinopse? Na altura, eu fiquei e não foi pouco. Confesso que uma das coisas que me fez querer ler o livro foi a perspetiva que conhecemos da autora (ao ler a sinopse), em relação ao amor. A perspetiva dela, choca de frente com a minha, pelo menos aquela que eu tinha antes de ler o livro, porque esta leitura acabou mudando a forma como eu vejo o amor e encaro as relações românticas.
Um livro escrito pela dona do blog The Styland (http://www.thestyland.com/), que também é jornalista e defensora de que o amor não é isto que conhecemos, mas sim “outra coisa”. Helena Magalhães acaba por ser uma grande influência para muitas mulheres do século XXI.
 
Acho que já deu para perceber que não estamos perante um romance “sessão de sábado à tarde”, mas sim perante um livro de “empowerment emocional, uma história de e sobre amor”, classificado pelas livrarias como um livro de crónicas.
 
Ao longo do livro, a Helena, juntamente com as suas amigas, vão passando e vivenciando várias experiências românticas, umas correm melhor do que as outras, mas todas elas trazem consigo algum ensinamento. Percebi que aquilo que eu já passei não aconteceu só comigo, que não fui a única a agir ou a me sentir de tal maneira, aprendi a ver o amor e as relações de uma maneira diferente e aprendi tanto, mas tanto com este livro, que irei guardá-lo sempre com muito amor e carinho e irei reler vezes sem conta, cada um dos ensinamentos que eu marquei com post-it. Além disso, estou a passar por uma fase menos boa, no que diz respeito ao amor e tenho a certeza que, de certa forma, este livro ajudou-me bastante a superar as coisas (que ainda não foram superadas, mas que um dia serão), a pegar nos cacos do meu coração partido, tentar colá-los e seguir em frente.
 
As metáforas que a escritora utiliza, são brilhantes, e funcionam perfeitamente para passar a mensagem desejada. Aliás, funcionam melhor do que provavelmente funcionaria se dissesse diretamente aquilo que quer dizer.
 
A forma como os homens aparecem no livro, quase sempre sem um nome próprio, como é o caso do Sem Cojones, o Flash, o Velho, o Poeta, o Telecomunicações, entre outros, dá a sensação de que eles não representam apenas uma pessoa, em vez disso representam várias pessoas que são assim, que tem os mesmos defeitos que eles tem. E acho que isto foi intencional, porque ao dar um nome ao personagem, estamos a individualizá-lo e calculo que não seja essa a intenção da autora.
 
E para juntar a todos estes pontos positivos, este livro é dotado de uma narrativa que é capaz de prender o leitor desde a primeira página. Tem uma linguagem clara, corrente e com alguns palavrões pelo meio (mas aviso já que são poucos e ditos no momento certo, creio que como que uma forma de desabafo) e que flui muito bem. No final fica aquele gostinho de “quero mais!”, mas que nos deixa de coração cheio.
 
Este livro não podia ter vindo em melhor altura e só tenho a agradecer a esta pessoa maravilhosa, a Helena Magalhães por o ter escrito e por me ter ensinado que o amor é outra coisa.
 

Beijinhos e boas leituras!


Lia
 

domingo, 30 de abril de 2017

Memorial do Convento de José Saramago

Classificação: ⭐⭐

Memorial do Convento, um livro de Saramago, um autor que ganhou o prémio Nobel da Literatura no ano de 1998 e que dispensa apresentações.
Realizei esta leitura porque é uma obra de leitura obrigatória de 12º ano na disciplina de Português. É também um livro que não faz o meu género, de todo, por isso o mais provável era nunca o ter lido por livre e espontânea vontade.
O livro fala da promessa que o rei D. João V fez: a de mandar construir um convento de franciscanos, porque um deles lhe tinha dito que a rainha teria um filho, se o rei prometesse isso. O que é certo é que no período de um ano (tempo estipulado pelo rei para a concretização da promessa) a rainha engravidou. Paralelamente a este enredo, temos a história de um casal, Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas, membros do povo, que nos mostram o contraste entre a relação deles e a relação do rei com a rainha.
Enquanto a preparação da construção do Convento de Mafra é feita, Baltasar e Blimunda são convidados pelo padre Bartolomeu Loureço a fazer parte da construção da sua máquina de voar, a “passarola”.
Toda história tem em si, uma crítica das condições dos trabalhadores do Convento de Mafra e também uma grande carga simbólica, como é o caso da “passarola”.
Não achei que a narrativa me conseguisse prender à história, porque facilmente me distraía a ler e havia partes da história em que não compreendia o que se estava a passar. Acabou por se tornar uma leitura arrastada, o que não é nada bom.
A narrativa do autor é bem peculiar e original, sendo um “contador de histórias” acaba por optar em não seguir as regras da estrutura comum na literatura. As falas dos personagens, por exemplo, são seguidas umas das outras sem que exista o normal “ponto final, parágrafo, travessão”, são apenas separadas por vírgulas e iniciadas por letras maiúsculas.
Reparei que, pelo menos neste livro do autor, ele enumera com muita frequência as coisas, acho que com o objetivo de reforçar a ideia que quer expressar, mas na minha opinião é informação desnecessária e que acaba por entediar o leitor.

Uma característica que nunca tinha encontrado, até hoje, em mais nenhum autor, é que aparentemente do nada, o narrador dá-nos spoiler de um acontecimento futuro. Reparei que aconteceu pelo menos duas vezes, e era um spoiler referente à morte de um personagem (neste caso de dois personagens), mas essa morte só é consomada passados uns meses.
Saramago faz imensas referencias a personagens e a momentos da obra Os Lusíadas de Luís de Camões e também faz constantemente, referencias a Deus e à religião cristã, e como pessoalmente, não sou uma pessoa católica praticante, não gostei muito de ver tantas referencias a este tema.
Mas nem tudo são pontos negativos, o autor tem o dom de usar a ironia de uma forma espectacular, assim como o sarcasmo, satirizando as diferenças que existem entre as classes mais baixas e as classes mais altas, não deixando nunca de lado este dualismo entre elas.

Este foi o segundo livro que li deste autor e confesso que até gostei da leitura do primeiro, inclusive, já fiz resenha dele aqui no blog: http://euliaeleio.blogspot.pt/2016/03/o-conto-da-ilha-desconhecida-de-jose.html

Espero que tenham gostado do post, e se tiverem curiosidade em saber mais opiniões sobre este livro, a Mariana do blog “Banal Girl” (http://the-banal-girl.blogspot.pt/) também leu recentemente e fez resenha dele no seu blog! (É só clicar neste link para ler: http://the-banal-girl.blogspot.pt/2017/05/memorial-do-convento-resenha.html#more)
Beijinhos e boas leituras!

Lia ❤
 

sexta-feira, 31 de março de 2017

Felizmente Há Luar! de Luís de Sttau Monteiro


Classificação: ⭐⭐⭐⭐

Um dos livros de leitura obrigatória para o 12º ano, aqui em Portugal (apesar de no próximo ano o programa de Português do 12º mudar e substituírem este livro por outro), é Felizmente Há Luar!, do escritor e dramaturgo Luís de Sttau Monteiro.

O livro, escrito de forma a ser representado em palco, relata um episódio da história de Portugal, para ser mais exata, o clima de opressão, injustiça e desigualdade entre as classes sociais, que se vivia em 1817, após das Invasões Francesas e a retirada do Rei e da sua comitiva para o Brasil.

Utilizando personagens que existiram realmente e outras que são ficcionais, mas que representam, de uma forma geral, alguns membros da população da altura.

A história gira em torno do General Gomes Freire de Andrade (que existiu realmente), apesar de este não aparecer na peça, é constantemente referido pelas personagens que entram em cena. Algumas delas (as classes mais pobres) encontram em Gomes Freire de Andrade a esperança da liberdade e da justiça tão ambicionada, outras, pelo contrário, vêem uma ameaça ao poder.

O livro encontra-se dividido em dois atos, mas a separação das cenas não está explícita, podendo ser reconhecida pelo leitor, se este estiver atento às didascálias sobre a mudança do foco da luz, entrada ou saída das personagens. Durante o primeiro ato as classes que tem o poder, vêem-no ameaçado e procuram averiguar um possível “culpado”, que lhes possa eventualmente roubar o poder e criar a desordem na sociedade de monarquia absoluta que se vivia na altura. No final do primeiro ato, este “culpado” (que não tem culpa, mas constitui uma ameaça), é encontrado e preso, durante o segundo ato, acontece o seu julgamento, mas não sem antes, acompanharmos a luta de quem faz de tudo para o ver livre e que daria a sua vida para o libertar (Isto pode estar um pouco confuso, mas não quero dar spoilers a quem quer ler o livro, por isso, não estou a dizer os nomes).

Apesar deste livro se passar no ano de 1817, tem o objetivo de fazer o público refletir e comparar o tempo da história com o seu tempo atual, uma vez que o livro foi escrito em 1961, o tempo que se vivia em Portugal era o regime Salazarista, que tinha bastantes semelhanças com o tempo da história do livro. Usando este truque, o autor consegue criticar o regime Salazarista, dando a conhecer outro tempo da história de Portugal, mas infelizmente, esta peça não foi autorizada pelo Estado Novo a ser representada em Portugal.

Geralmente, quando tenho de ler um livro por causa da escola, acabo por não gostar muito, na maior parte dos casos é por não estar habituada aquele tipo de linguagem na literatura, ou pela história em si que não me consegue cativar. Neste caso, a linguagem era um pouco formal de mais, para o meu gosto, mas estava a gostar até meio do primeiro ato, depois comecei a não gostar nada, estava confusa com as personagens e a leitura não estava a fluir bem. A partir do segundo ato, melhorou bastante e a leitura começou a fluir muito melhor.

Um dos pontos mais positivos deste livro é, sem dúvida, as várias citações de que gostei bastante! Estou a pensar, inclusive, em fazer um pequeno post, só com as citações deste livro. As metáforas que encontramos ao longo do livro, assim como o sarcasmo das personagens, é fabuloso!

O final do livro é comovente, não cheguei a chorar, porque não choro facilmente com os livros e pelo facto deste livro ter apenas 140 páginas, não me apeguei assim tanto aos personagens, mas se assistisse a ele, como representação teatral, era possível que deixasse cair uma ou duas lágrimas!

É um livro pequeno e rápido de ler, por ser escrito com a finalidade de ser representado em palco. A linguagem pode ser um pouco complicada para pessoas que não estão habituadas a uma linguagem mais formal, ou que não entendem o que se quer dizer por de trás de uma metáfora ou de uma fala cheia de sarcasmo, mas ainda assim, acho que vale muito a pena dar uma oportunidade a este livro!

 
Beijinhos e boas leituras!

 
Lia ❤