“O azul é uma cor quente” foi o primeiro livro (e único, até
agora) que li com um tema LGBT como foco, mais especificamente, sobre o amor entre duas
pessoas do sexo feminino. Já há muito tempo que queria ler algum livro assim,
mas estava meio perdida e sem saber por qual livro começar.
Quando vi este livro na Feira do Livro de Lisboa deste ano,
fiquei encantada com as ilustrações (Mas não fui a única! A Inês do instagram
@books4everyone também ficou!), depois percebi que se tratava de um livro LGBT
e percebi que seria ótimo para uma primeira leitura sobre este tema, uma vez
que seria uma história rápida, por ser em estilo de banda desenhada. Além disso, no dia 28 de junho foi o dia internacional do orgulho LGBT, então acho esta leitura não podia ter vindo em melhor altura!
O livro conta a história de uma adolescente, a Clémentine,
de 15 anos, que ao passar por uma rua, se cruza com duas raparigas, uma delas
acaba por lhe sorrir e de alguma forma, que Clémentine não sabe explicar, algo
muda nela, com aquele sorriso enigmático de uma desconhecida.
Nada na vida da Clémentine continua como estava, as relações
com os pais pioram, alguns amigos poderão afastar-se, as dúvidas sobre a sua
orientação sexual ficam abaladas e numa idade em que conta tanto aquilo que
pensam de nós, quais serão as atitudes que a Clémentine irá tomar daqui para a
frente?
A narrativa começa depois de um determinado acontecimento na
vida da Clémentine (que eu não vou revelar aqui, pois pode ser spoiler, apesar
de nos ser dado a conhecer logo nas primeiras páginas), depois voltamos atrás
no tempo e vemos como foi a vida dela, a partir dos seus 15 anos até ao
acontecimento. O facto de a narrativa ser contruída assim, pode acabar por tirar um pouco da carga emotiva que o final teria, se desconhecêssemos o acontecimento, porém no meu caso, acabei por me emocionar na mesma, quando cheguei às páginas finais.
Tratando-se de um livro de banda desenhada e sendo eu uma estudante
de artes visuais, não poderia deixar de referir que a qualidade do grafismo, do
traço e a expressividade dos desenhos são realmente maravilhosos. Por vezes,
não necessitamos de balões de fala, porque as imagens já falam por si. A paleta
de cores é reduzida durante quase todo o livro, mas tem sempre um ou outro
apontamento a azul, o que na minha opinião, resulta muito bem neste livro.
Porém, nem tudo são pontos positivos e existem duas coisas
que não gostei: uma delas é o facto da tira com a propaganda do filme baseado
no livro não ser de papel e retirável e ser realmente parte da capa, o que
acabou prejudicando a ilustração desta. A outra coisa que não gostei foi que um dos dois tipos de letra escolhido
para interior não fosse de fácil leitura e, entre determinadas letras,
suscitou-me algumas dúvidas.
Gostei bastante desta leitura, foi rápida, fluida e
comovente em algumas partes. Espero que mais gente conheça este livro, pois ele
é uma leitura que nos ajuda a entender um pouco as dúvidas e tudo o que uma
pessoa homossexual passa, em busca de um rumo para a sua vida.
Apesar de se tratar de uma banda desenhada, e de ser de
fácil leitura, não recomendo para crianças, pois contém algumas partes mais
adultas no interior.
Espero que tenham gostado da minha opinião e se lerem o
livro digam-me o que acharam!
Beijinhos e boas leituras!
Lia ❤